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Vigilância em Saúde alerta: primatas não transmitem a febre amarela

Assim como nós, eles são apenas vítimas da doença, que é transmitida apenas pela picada do mosquito, tanto às pessoas quanto a esses animais

Nos últimos dias, muitas espécies de macacos têm sido encontradas doentes ou mortas em diversas cidades brasileiras, inclusive em Piên, onde é comum o bugio. Muitas pessoas matam esses animais por pensarem que eles transmitem a febre amarela aos humanos, mas o Departamento de Vigilância em Saúde de Piên alerta: os primatas não são responsáveis pela transmissão da doença, que ocorre apenas pela picada de mosquitos.

A chefe da Vigilância em Saúde de Piên, Ana Mara Harbs, destaca que esses animais também são vulneráveis ao vírus, assim como os humanos, ou seja, adquirem a febre amarela da mesma forma que as pessoas, por meio da picada de mosquitos transmissores infectados. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue).

Além disso, ao contrário do que muitos pensam, os primatas podem representar um alerta às autoridades quanto à incidência de febre amarela em áreas silvestres. A detecção da morte de um bugio por febre amarela pode significar tempo para adotar medidas de controle para evitar doença em seres humanos. “Eles são vítimas da doença. Principalmente por viverem em áreas de mata, eles são os primeiros a serem infectados, assumindo um importante papel no auxílio do controle da doença”, ressalta.

É importante ressaltar que, até o dia de hoje, não há a circulação do vírus em Piên, mas o Departamento de Vigilância em Saúde está tomando as medidas preventivas por meio da captação dos animais doentes, machucados ou mortos para a realização de exames e monitoramento da circulação viral.

Denúncias

Caso a população encontre bugios mortos ou doentes, não deve tocar nos animais, mas entrar em contato o mais breve possível com a Vigilância em Saúde, pelo número (41) 3632-1378. “Temos que fazer a captura desse animal e, para isso, existe todo um processo técnico”, informa Ana Mara.

Além disso, é possível denunciar a matança ou maus tratos de primatas pela Linha Verde do Ibama, no 0800 61 8080. Na denúncia, podem ser encaminhados vídeos e fotos que auxiliem na identificação do crime e de quem o cometeu, por meio do e-mail linhaverde.sede@ibama.gov.br.

É crime

Matar animais é considerado crime ambiental pelo Art. 29 da Lei n° 9.605/98. De acordo com a legislação, “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente ou em desacordo com a obtida” pode gerar pena de seis meses a um ano de detenção, mais multa. No bioma da Mata Atlântica, onde incide a febre amarela, encontram-se primatas ameaçados de extinção, entre eles, o bugio, o macaco-prego-de-crista, além do muriqui do sul e do norte.